As Lágrimas de Deus pela Humanidade

Ás vezes sozinho, em meus pensamentos, fico imaginando, lá em cima, Deus, sentado no seu trono de Criador, olhando com tristeza, para sua criação aqui na Terra. Claro, é algo simbólico, uma alegoria de pensamento. A concepção de Deus Criador é muito ampla, para quem acredita. E tenho certeza, se ele mandou seu filho Jesus para nos ensinar amai-vos uns aos outros, viu essa missão em parte, falha. Digo isso, porque cada vez mais, existem assassinatos, não só pela ganância, mas pelo ódio racial, religioso e a intolerância com os diferentes. Lembro-me bem do assassinato do índio Galdino, que simplesmente dormia numa parada de ônibus no centro de Brasília e foi assassinado por moleques da classe média alta que lhe atearam fogo no corpo, por mero prazer. O que fez o índio Galdino? Só porque nasceu índio e dormia na parada de ônibus foi morto brutalmente, por brincadeira? Faz tempo, eu não esqueço, morava ali perto na época. Horrorizei-me. Todos os dias me horrorizam, é só ver o noticiário. A Eurocopa mostra uma infindável batalha. Agora, um americano muçulmano, dizendo-se enojado por ver dois homens de mãos dadas, se beijando na cidade de Orlando, simplesmente, resolve entrar numa boate simpática a causa GLBT e dispara suas armas automáticas, ceifando a vida de 50 pessoas e ferindo mais 53. Uma pessoa, só conseguiu prejudicar a vida de 103 pessoas. E mais, e as famílias? E os traumas? As mães e pais que perderam seus filhos? E os amigos que ficarão sem seus amigos? Este maluco, esta abominação da criação, tinha, como todos temos direito de não gostar deste ou daquele, ou até sentir-se insatisfeito com o mundo atual. Mas nunca, nunca, lhe foi conferido o direito de decidir sobre a vida dos outros. Se a vida era ruim pra ele que se matasse. Tenho esta controversa opinião que dá nossa vida podemos fazer o que quisermos, já que presente de Deus, desde que não prejudiquemos a vida alheia. O monstro de Orlando, calhorda mal intérprete das palavras de Alah, misturou intolerância religiosa e sexual, resolvendo ceifar vidas, como se fosse a encarnação da poderosa Morte. Respeito, educação, tolerância, deveriam permear a vida de todos nós. Mas o mundo, ao contrário, prega o desprezo, a liberalidade sem compromisso, a individualidade sem senso de coletivo. No mesmo final de semana trágico de Orlando, no sábado à noite, uma figura folclórica, berrava aos plenos pulmões no Bar do Vierinha, contra os coxinhas e verde amarelos. Pobre figura melancólica. Virou o riso da noite, com sua boca espumando, seus olhos vidrados de ódio que mesmo com os óculos deixavam transparecer sua fúria para com aqueles que ele despreza por pensarem diferente dele. Lembrei-me dos rapazes que se divertiam na boate de Orlando. Assim como me lembrei das pessoas se divertindo em Paris, no Moulin Rouge. Acho que a alegria, a diversão incomoda os intolerantes e mal amados. Eles deveriam ficar em casa, com suas amarguras, falando para as paredes, mas não, andam armados, com automáticas, ou com palavras agressivas contra seus semelhantes. Tenho certeza. Olhando para os céus, que Deus chora, Deus olha pensativo para sua criação. E talvez se arrependa de nos ter presenteado com o Livre Arbítrio. Vamos pensar mais, vamos pregar mais a tolerância e lembrar das célebres palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros.

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